Músculos do assoalho pélvico (MAP)

 

Os músculos do assoalho pélvico são um grupo de músculos de controle voluntário, em forma de rede que se localizam na porção inferior da bacia, especificamente entre as coxas e tem a função de sustentar os órgãos internos. Os MAP originam-se no osso púbico (localizado na região baixa do abdômen) e nas paredes laterais dos ossos da bacia e se dirigem para o cóccix (um osso localizado na fenda que separa as nádegas, a ponta do cóccix pode ser palpada no final da fenda interglútea).

 Estes músculos desenvolvem um papel importante no correto funcionamento da uretra e reto agindo como esfíncteres (válvulas de fechamento) e circundam também a vagina. Quando ocorre algum problema relacionado à função da bexiga ou do reto (através de vazamentos involuntários) os músculos do assoalho pélvico tornam-se o foco das atenções. Estes vazamentos são explicados por que em muitos casos estes músculos estão fracos, foram lesados, estão frouxos ou em hiperatividade.

Exemplo:

  • Qualquer cirurgia envolvendo o canal anal pode levar a problemas no controle da continência das fezes
  • O controle da bexiga é geralmente um problema após a cirurgia de próstata.
  • As lesões no períneo (por estiramento dos músculos vaginais) e no canal anal durante o parto vaginal pode levar a problemas de continência da urina e fezes
  • As lesões do nervo pudendo (nervo que controla os músculos do assoalho pélvico) podem ocorrer durante os partos prolongados, principalmente de crianças acima de 3 Kg.
  • O proceeso de envelhecimento leva a fraqueza dos músculos, inclusive os músculos do assoalho pélvico

 Os MAP estão dispostos em duas camadas: superficial (também chamada de períneo) e profunda. Durante a reabilitação destes músculos o seu fisioterapeuta poderá solicitar a contração isolada de cada um deles.  

Os músculos da camada superficial são: bulbocavernoso (BC), isquiocavernoso (IC), transverso superficial e profundo e esfíncter anal externo os quais participam do mecanismo de continência urinária e fecal e da esfera sexual, promovendo a ereção do pênis e do clitóris, a ejaculação e as contrações da vagina durante o orgasmo. A frouxidão dos músculos vaginais pode modificara sensação durante a relação sexual tanto na mulher como no seu parceiro

Os músculos da camada profunda são os músculos levantadores do ânus (pubococcígeo-PC, puborretal -PR, pubovaginal- PV, elevador da próstata - EP e iliococcígeo) e o músculo coccígeo     (ou isquiococcígeo). Estes músculos também circundam a uretra, a vagina e o reto.

 

Os MAP também participam do controle da postura (juntamente com os abdominais e os músculos da parte inferior das costas) estabilizando a bacia. Pessoas com fraqueza nestes músculos podem também apresentar dor lombar crônica.
 

Como funcionam os MAP?

A ação esfincteriana constitui a principal função dos MAP. Estes músculos mantêm-se em contração a maior parte de nossas vidas sem fadigar-se (contração basal), graças a sua constituição que contém um grande percentual de fibras musculares aeróbicas, permitindo assim o fechamento da uretra e do ânus e conseqüentemente a continência.

Durante o esforço, a ação de fibras musculares anaeróbicas promove uma contração rápida aumentando ainda mais a tensão dos MAP gerando um “reforço” para a contração basal.

Os MAP são músculos voluntários, podendo aumentar a sua tensão pela vontade do indivíduo e relaxar  voluntariamente quando se deseja esvaziar a bexiga. Contudo é necessário que além dos músculos estarem íntegros, os nervos que os controlam devem estar também em bom funcionamento. O nervo pudendo (proveniente das raízes nervosas que saem da segunda até a quarta vértebras sacrais) controla a atividade dos músculos das camadas superficial e profunda do assoalho pélvico.

Por que é importante o treino dos MAP?

Muitas pessoas não conhecem onde se localizam os MAP e nem sabem contraí-los de forma correta. Quando são solicitados a realizarem a contração geralmente se observa a contração de outros grupos musculares como, por exemplo: os glúteos, os músculos da coxa ou os músculos abdominais. Isto pode ocorrer também pelo fato destes músculos estarem muito fracos. Estudos mostraram que a simples instrução verbal dada pelo médico ou por outro profissional de saúde sem um devido acompanhamento não foram satisfatórios em alcançar bons resultados no tratamento das incontinências. È importante que um profissional (fisioterapeuta) habilitado acompanhe o seu caso e elabore um treinamento específico para estes músculos.

 

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